27
ABR
2017

O Rosto da Misericórdia

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     No último dia 08 de dezembro, iniciamos o Ano da Misericórdia, e ao ler o documento do Papa Francisco intitulado Misericordiae vultus, que nos propõe a vivermos a misericórdia seguindo o exemplo do Pai, que pede para não julgar e não condenar, mas perdoar e dar amor e perdão sem medida (cf. Lc 6,37-38), deixei que o seu conteúdo fosse ruminado em meu coração ao ponto de despertar em mim o desejo de ser cada vez mais misericordioso.

     A facilidade de condenar ou rejeitar as pessoas por conta de suas fraquezas, faz com que nos sintamos “perfeitos”. No entanto, quando nos deixamos envolver pela Misericórdia do Pai, percebemos que não somos tão perfeitos assim, e é neste momento que precisamos permitir que a misericórdia nos banhe para que sejamos purificados. Desta forma, passamos a ter o olhar de Jesus, que ao ver as multidões sentiu grande compaixão pelas pessoas, pois elas estavam aflitas e desamparadas como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 36). É exatamente desta maneira que devemos agir diante dos Filhos e Filhas de Deus, pois nossas misérias, muitas vezes, são maiores do que as misérias daqueles que julgamos.

     Particularmente, acredito que o Ano da Misericórdia já esteja fazendo em mim mesmo uma grande transformação, já que pedi a Jesus a graça de ter um coração Misericordioso como o d’Ele. O mesmo também pode acontecer com você, e para isso é necessário pedir ao Senhor que remova, constantemente, as “travas” de nossos olhos, pois os mesmos são a expressão do coração; isto é, se o nosso olhar é condenatório, isso demonstra o quanto nossos corações são julgadores, o que nos impede de termos atitudes de Misericórdia.

     Neste Ano da Misericórdia, peçamos a Jesus que nos conceda um novo coração que esteja disposto a perdoar incondicionalmente, mesmo que as feridas causadas em nós sejam maiores do que possamos suportar. Que tenhamos a humildade de Maria para perdoar a todos que, durante nossas vidas, nos machucaram, mas que também peçamos perdão por todas as mágoas e decepções que possamos ter causado na vida de tantas pessoas. Façamos a experiência de olhar para frente, abraçar a Misericórdia e deixar-se inebriar por ela, pois só assim nossos corações inquietos tornar-se-ão serenos para viver o Amor e, desta forma, a alegria do Senhor será cada vez mais completa em nossas vidas (Jo 15, 11).

     Sejamos um instrumento de Misericórdia para aqueles que amamos e tenhamos o desejo de estar sempre com o coração rasgado, tanto para ser perdoado como também para perdoar. Que nossos corações sejam capazes não mais de guardar ressentimentos, mas sentimentos de Amor e de esperança, pois assim estaremos realizando a vontade do Pai: “Amai-vos, como eu vos amei” Jo 15, 12.

     É essa vontade de possuir a Misericórdia que fará de nós canais do Amor de Deus, nos tornando mais verdadeiros para Amar com um Amor sobrenatural do que continuar nos enganando, pois quando nos engamos somos menos felizes. A causa dessa infelicidade está no fato de não fundamentarmos nossas atitudes no que é consistente, e desta forma a paz não acontece (Mt 7, 24ss), mas na medida em que o Amor vai se tornando o FUNDAMENTO de todas as nossas ações (Rm 13, 10) a Misericórdia torna-se a prática do dia a dia e, neste caso, não nos cansaremos de PERDOAR (Mt 21, 18ss).

     O Ano da Misericórdia também precisa ser um aproximar-se mais intimamente da Eucaristia para que possamos expressar o rosto de Cristo Misericordioso. De minha parte, vou buscar ser um Sacerdote da Misericórdia para poder agir segundo a graça que Restaura os corações dos Filhos e Filhas de Deus. Procurarei ser mais silencioso para escutar com prazer a voz do Mestre Jesus e, assim, poder fazer a sua vontade, me tornando um elo de comunhão entre as pessoas e deixando de lado todo tipo de ranço e desconfiança com o intuito de criar unidade de Amor que cura e devolve a originalidade do rosto Misericordioso do Pai.

     Por fim, rezo para que possamos encontrar a graça da Caridade para com os mais necessitados, tanto espiritualmente quanto humanamente, pois não basta querermos resolver somente os problemas palpáveis, onde se pode facilmente conquistar, mas é imprescindível que cheguemos ao âmago do coração de quem precisa da Misericórdia para que este seja purificado e devolvido à Vida Plena.

Rezemos juntos – “Senhor, neste Ano da Misericórdia uma única coisa vos peço: dai-me, sem reservas, um coração Misericordioso”.

Pe. Fernando Gonçalves | Fundador

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